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Esta coluna foi iniciada no jornal "Diário
do Sul" na segunda-feira, dia 24 de Outubro de 2005, e
pretende abordar, semanalmente, questões do futebol que
parecem ser inéditas mas que afinal são questões de todos os
tempos.
Muito se escreve por vezes, muita
discussão suscita, muitos comentadores são ouvidos nas
discussões do futebol.
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Quase nada é novo no futebol
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O único que não pode errar!
Hoje
vamos transcrever quase na integra
um artigo publicado pelo Mestre
Joaquim Campos em 1957 sobre um tema
actualíssimo a dualidade de
critérios que segundo aquele
conhecedor dos temos da arbitragem é
o corolário de paixões e do
desconhecimento das leis.
Vamos então ler com atenção o que
escrevia o Mestre Joaquim Campos nos
finais do anos cinquenta:
“ Os árbitros são considerados hoje
por essa plêiade de indivíduos
verdadeiros obreiros das derrotas
das suas equipas, homens se
escrúpulos, olhados com desdém e
ameaçados a cada passo que dão na
rua, enxovalhados e criticados
infimamente por pessoas sem um
mínimo de cultura só porque vêem
nele o culpado de todo o estendal de
insucessos do clube com o qual
sonham e pelo qual são capazes de
tudo.
Comentam o labor do árbitro,
indivíduos que nunca se deram ao
trabalho de abrir uma única vez o
Regulamento pelo qual se rege o
futebol, que se indignam e ameaçam o
juiz de campo só porque os
espectadores que estão sentados à
sua volta vociferam e clamam contra
a acção do director da partida.
Não vale a pena perguntar-lhes
porque protestam pois a desilusão
seria total. Dizem que há um ror de
tempo a que aquele senhor anda na
arbitragem só para prejudicar o seu
clube, que leva a tabela da
classificação no bolso do seu casaco
de árbitro, inventam coisas a seu
respeito só com o fito de os
difamarem, argumentam mil e um
motivos para os colocarem em plano
de descrença e desconfiança.
Às exclamações de desespero por um
golo mal perdidos sucedem-se
imediatamente a absolvição do
jogador que falhou o remate só
porque este ficou a olhar para a
bota como que a considera-la
culpada, foi infeliz porque acertou
mal na bola, porque a relva estava
ali mais levantada ou um ressalto
caprichoso roubou-lhe a
possibilidade de êxito no disparo.
Deitam as mão à cabeça quando o
guarda redes consentiu um golo
facilmente evitável mas saltam em
sua defesa, e até dão uma salva de
palmas quando colega lhe passa a mão
pelas costas para o confortar,
afirmando que ele não poderia ter
visto partir o remate porque estava
encoberto, que escorregou quando se
preparava para defender, que o
pontapé levava efeito, etc. Enfim
que houve infelicidade no lance.
Porém, se o árbitro falha na
marcação de uma grande penalidade,
se assinala um fora de jogo que não
existiu, se considera legal um golo
falso ou anula um que a todos parece
válido, então já não é infeliz, mas
sim desonesto.
Estão na moda as claques mimosearem
o juiz de campo com tão pouco
dignificante piropo e com a sem
cerimónia que o fariam a apoiar a
sua equipa. Para eles o árbitro é a
única pessoa que não pode errar.
A perfilhar a doutrina de tais
senhores, uma vez que não há ninguém
que não erre, teríamos um Mundo
formado por desonestos.
Desonesto seria o empregado que se
serve da borracha para apagar uma
conta mal feita porque a fez errada;
desonesto seria o comerciante que
falha uma transacção quando a
imaginava de fins lucrativos e ela
deu prejuízo; desonesto seria o
técnico que introduziu uma táctica
errada na sua equipa que a levou à
derrota.
Nunca se soube nem nunca se quis por
em equação que se o avançado não
falha um golo certo de maneira
propositada ou o guarda redes deixa
entrar um golo infantil só pelo
prazer de ver a bola colada ás
malhas, também o árbitro não se
considerará lisonjeado por falhara
nas suas decisões que não só
afectarão o seu prestigio como
também enfraquecerão o seu
conceito”.
A agora digam-se mudou alguma coisa
desde 1957 até hoje? Sim, no tempo
de Salazar, não havia corruptos, só
desonesto.
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Quase nada é novo no futebol
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Há dirigentes e dirigentes
No
futebol tudo é fugaz, uma vitoria
saboreia-se no momento, um carreira
de futebolistas é mais ou menos
longa mas o estrelato é efémero, o
estado de graça dos dirigentes
também é curto embora por vezes
rapidamente os associados esqueçam o
mau ou o bom trabalho que estes
fazem em prol do clube e o volte a
idolatrar ou não.
Por isso o desejável, é que todos
tivessem em conta nas suas diversas
actividades a luta por aquilo que
não é efémero nem fugaz e que
perdura para além dos atletas dos
dirigentes dos jornalistas do
árbitro. O futebol.
No futebol desde sempre há um
elemento que ninguém quer e que
todos querem passar para os outros.
Esse elemento é a culpa.
Por isso mesmo no campo meramente
desportivo há que arranjar sempre um
culpado para quando as coisas não
correm bem ou pelo menos ao desejo
dos amantes do clube. É bem mais
fácil a um dirigente passar a culpa
de um mau resultado para a árbitro
do que assumir que a sua equipa teve
alguma culpa no resultado negativo.
João Gomes em 1964 dedicava uma
palavras a este assunto e escrevia
eles sobre este assunto “...nós
sabemos todos muito bem que a
vontade desses senhores seria que
ganhasse sempre a equipa da sua
preferência. Mas daí a atirar-se
sempre para cima do árbitro a culpa
do fracasso, vai uma grande
distancia.
Além do mais, geralmente, o
dirigentes desportivo não é pessoa
com a isenção necessária para
aceitar a derrota sem a atribuir ao
director da partida. Em resumo : os
dirigentes são por demais facciosos
para se poder dar crédito às suas
declarações”.
Estas palavras escritas em 1964, são
de uma grande actualidade é que
nunca como hoje se deu tanta
importância a palavras que tão pouco
importam ao futebol. Isto é muitas
vezes os grandes títulos dos jornais
desportivos, as grande manchetes,
não trazem nada de novo nem de
positivo ao futebol, são desabafos,
insinuações ou mesmo tentativas de
iludir os associados para o mau
trabalho que os dirigentes por vezes
estão a fazer.
Aqui muita da culpa vai direitinha
para os jornalista que ao fim e ao
cabo ampliam declarações cuja
substancia não é nenhuma:
Mas, continuemos a analisar o artigo
de João Gomes “...Assim como o
árbitro no meio do campo não tem
preferência nem simpatia por
qualquer clube, também o dirigentes
não as devia ter (estando investido
de funções no próprio jogo, digo
eu). Quer dizer: o que se exige ao
árbitro em seriedade e
imparcialidade, isenção, devia
exigir-se também ao dirigente...”
E vai mais longe o articulista “ o
futebol nacional vai mal não é por
culpa dos árbitro. Nós bem sabemos
que o problema é mais complicado do
que parece à primeira vista, porque
há certos clubes que ao indicar os
seus elementos para os diversos
departamentos desportivos entendem
que eles vão para ali defender os
seus interesses...”
Como estas palavras têm actualidade,
este é um dos factores que
descredibiliza o futebol, ontem como
hoje e provavelmente como amanhã
infelizmente continuam a haver em
órgãos que comandam o futebol
indivíduos, que não têm paixão pelo
futebol, sofrem isso sim de uma
paixão cega pelos seus clubes e isso
não é nada bom, nada mesmo.
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Repetir ...repetir...repetir!
A
repetição das imagens a chamada
“câmara lenta” começou para se
analisar a beleza das jogadas e
tirar uma ou outra duvida sobre a
forma como o lance tinha decorrido.
Hoje, ou melhor pouco tempo depois
do “replay”, ter surgido começou
logo a ser utilizado para ir até ao
mais ínfimo pormenor na analise, não
da beleza das jogadas, mas das
pretensas irregularidades que tenham
acontecido e logo fazendo sobressair
os erros dos árbitros.
Entendo, que é bom que exista
tecnologia que permita chegar-se o
mais perto possível da verdade e
assim evitarem-se os erros, contudo
se por um lado está a tecnologia do
outro está o ser humano e não há
seres humanos perfeito logo todas as
acções dos homens são passíveis de
erros.
Este tipo de analise, que muitos
hoje fazem, da relação entre o homem
e as novas tecnologia, se estas
devem estar ao serviço do homens ou
contra o homem, tem sido muito
debatida, nomeadamente no futebol
desde há muitos anos.
Viajámos no tempo até l974 e fomos
encontrar no Diário de Noticias um
artigo de Fernando Pires sobre este
tema e onde o articulista escrevia o
seguinte:
“ Dizia-me no Domingo à noite, um
camarada que o segundo golo do
Sporting fora irregular. Dizia-mo
com inteira convicção e estranhava
que não partilhasse do seu parecer,
tanto mais que sabia ter assistido
ao desafio da tribuna de imprensa.
Na verdade, nada vi, quase posso
assegurar, falando na pluralidade
que nada vimos. Nesse lance
Dinis-Tibi que deu o golo que fixou
o resultado, nem no outro,
Nelson-Tibi que também resultou em
golo, mas que o árbitro César
Correia, invalidou por carga sobre o
guarda redes, como depois
esclareceu.
Num, houve protestos, dos
portuenses, tão espontâneos da parte
de Rodolfo e de Ronaldo, não de Tibi,
a pretensa vitima da falta, que
talvez tenha o cunho de razão. No
outro, nem protestos houve, os
sportinguistas aceitaram a decisão,
o que tanto pode ter sido por
reconhecimento da carga irregular
como de não valer a pena face ao 2-0
que se registava.
Fosse o que fosse, aquele meu
camarada não tinha duvidas. Viu na
televisão repetir-se a jogada uma,
duas, três vezes e, finalmente à
terceira descobriu o braço direito
de Dinis a tirar a bola subtilmente
a Tibi.
Tão subtilmente, a ter sido assim,
que no campo, naquele instante,
naquele relâmpago de tempo, ninguém
notou a existência da
irregularidade, com ressalva, a
considerar a espontaneidade da
reacção dos dois defesas do FC
Porto- Rodolfo, que estava por
detrás de Dinis e de Ronaldo que
estava pela frente.
Foi naquele relâmpago de tempo que o
árbitro teve de decidir. E decidiu
sem hesitação, validando o golo,
como sem hesitação invalidou o que
seria o terceiro.
O árbitro não tem outros recursos ao
seu dispor se não os da sua
capacidade visual e dos seus
reflexos. A decisão tem de ser
imediata e sem deixar dúvidas,
segura, firme, autoritária como se
impõe a um juiz.
E, há que a aceitar com o melhor
espírito desportivo, sem por em
causa a seriedade do árbitro nem a
justiça do seu julgamento...”
Como se vê este tema tem merecido
discussão quase desde o seu inicio e
estou em querer que vai continuar a
suscitar muita polémica, o
importante é que como escrevia
Fernando Pires não coloquemos a
infalibilidade do “replay” adiante
da falibilidade do árbitro.
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Pela boca dos outros
Na
vida quotidiana temos de desempenhar
vários papeis, direi mesmo que cada
vez temos de desempenhar cada vez
mais papeis. A questão que se coloca
é qual a atitude que temos de tomar
em cada um dos papeis que somos
chamados a representar. Por exemplo
aqueles que enveredam pela carreira
de árbitros e digo mesmo dirigentes
correm muitas vezes o risco de serem
vistos aos olhos da opinião pública
de uma forma bem diferente daquilo
que na realidade são.
Como quase todas as questões que
aqui abordamos, esta questão não é
nova e tem sido sempre colocada, sem
que contudo seja difícil, para o
cidadão comum separar o cidadão do
árbitro.
Sobre este assunto já escrevia em
1960 Eduardo Carradinha “Um árbitro
pode ser na vida particular cidadão
exemplar e digno, um competente e
honesto funcionário na sua vida
profissional, ter uma vida sem
mácula, a merecer o respeito dos
seus concidadãos, possuir bagagem
técnica à altura do desempenho das
suas funções, ter a rapidez
necessária para decidir rapidamente
as incidências do jogo, pode enfim
estar técnica, física e
psicologicamente climatizado para
corresponder aos que se espera da
sua actuação. Durante a sua carreira
deu provas da sua competência e
idoneidade”.
Isto acontecia há 46 anos atrás e
acontece hoje, nada mudou neste
aspecto e num entanto ontem como
hoje tal como escreve o articulista
Carradinha “ Todo esse curriculum
vitae, não chega contudo para evitar
que em determinada altura seja
atingido pelas criticas malévolas,
que à volta do seu nome se levantem
malsinações, a mais ligeira das
quais será o de o acusar de
favorecer propositadamente
determinado clube, o que equivale a
chamar-lhe desonesto. Quando nãos se
propalam coisas piores ainda”.
Estamos aqui a falar de árbitros,
mas poderíamos falar de dirigentes,
e mesmo jornalistas, quantas e
quantas vezes porque não se escreve,
como não se apita a favor das cores
do nosso clube, se acusam de
desonestidade e muitas vezes de
mentiroso determinados escribas,
curiosamente, mesmo que não tenham
razão raramente há um pedido de
desculpa. E, quem fica com o epíteto
de desonesto é o visado.
Enfim, sobre honestidade e
desonestidade muita haveria para
escrever e muito se tem escrito e
continuando a fazer referencia ao
nosso articulistas Eduardo
Carradinha terminamos com uma
referencia que ele faz sobre a
honestidade .
A honestidade segundo Carradinha “ é
uma coisa psíquica, interior, tem de
ser revelada por actos, que são
exteriores. E é nesta altura que a
comparação com a mulher do Tribuno
de Roma ( a mulher de César não
basta ser séria tem de parecer) tem
cabimento.
O procedimento do juiz de campo tem
de se pautar por uma estrita
obediência a certas normas. Dentro e
fora do terreno. Antes e depois dos
jogos. Até nas conversas com os seus
amigos – tantas vezes deturpadas,
com a passagem de boca a boca. Quem
conta um conto, acrescenta um
ponto”.
É assim que terá de ser e quem julga
muitas vezes simplesmente pelo que
se diz deve ter a capacidade de
analisar não só o profissional, mas
o homem, infelizmente ontem como
hoje muitos a maioria fala sem saber
do que está a falar ou melhor fala
pela boca de outro, muitas vezes com
interesses que vão muito além do
jogo.
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Apitar e relatar!
Há
pouco tempo atrás num jogo de
futebol entre duas equipas
alentejanas, vi um dirigente de uma
das equipas a esbracejar na direcção
à local onde estavam as rádios a
fazer o relato do jogo.
Infelizmente é comum quando as
coisas não correm bem a uma das
equipas alguns dirigentes atribuem a
culpa ao relator e ao comentador.
Neste caso estes profissionais e o
árbitro têm em comum como escrevia
Mário Cília em 1960 “os juízos
levianos e precipitados do público
frequentador dos estádios ou
ouvintes das estações de rádio”.
E já no inicio da década de sessenta
as dificuldades dos árbitros e dos
jornalistas radiofónicos era
semelhante como podemos verificar ao
ler o artigo de Mário Cília “
Podemos, pois, afirmar que, neste
pormenor, os homens do apito e os
homens do microfone são as grandes
vitimas da paixão desenfreada que,
por norma, é característica
fundamental do adepto do jogo, e no
qual habita sempre – ou quase sempre
– um clubismo extremista”
E diz mais adiante o articulistas “
a ambos se exige um julgamento quase
imediato e exacto (exacto em relação
à feição clubista de cada
espectador, note-se... ) um
alheamento completo do ambiente
febril que o rodeia, estoicismo
perante os insultos com que tantas
vezes, são minoseados e , pior que
isto tudo, que “puxe” para seu
clube”
A diz mais Mário Cília “ a maioria
das vezes, a derrota do seu clube é
atribuída pelo espectador – clubista
ao árbitro e ao relator desportivo;
ao primeiro porque, evidentemente “
estava vendido” e ao segundo porque
é faccioso que toda a gente sabe que
“torce” descaradamente pelo Benfica,
pelo Sporting ou pelo Belenenses”.
Sem pretender dizer que os árbitros
nunca erram ou que os jornalistas
têm a verdade total, isso não é
verdade os árbitro e os jornalistas
erram, e pelo simples facto de serem
humanos, mas é importante que se
refira a dificuldade de uma e outra
actividade até por que como escrevia
Mário Cílio “ ... quando nos dizem
que os relatores radiofónicos são
todos uns aldrabões, costumamos
dizer : peguem num microfone e
experimente a fazer um relato.
Do mesmo modo nos apetece dizer
aqueles que sistematicamente acusam
os árbitros “peguem num apito e vão
dirigir um jogo”.
É preciso dizer hoje aquilo que o
articulista escrevia há 46 anos “
Quando o nosso clube perde, noventa
e nove por cento das vezes a culpa
não é do árbitro, mesmo que ele
tenha errado no assinalar de uma ou
outra falta, do mesmo modo que o
relator ou comentador radiofónico
procura sempre exercer a sua missão
com honestidade e sem
favoritismo...é que para o homem dos
jornais ou da rádio o seu prestigio
e a dignidade que deve em todas as
circunstancias a si próprio e à sua
profissão estão acima – bem acima –
da sua inclinação clubista”.
E termina com um frase de ontem de
hoje e de sempre “Evidentemente ,
isto é a regra...há excepções, mas
essas servem apenas para confirmar a
regra – mais nada...
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Quase nada é novo no futebol
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Três histórias exemplares
De vez
em quando há atitudes que sendo
normais porque são justas, acabam
por surpreender, aqueles que
acompanham o fenómeno do futebol,
onde cada vez impera mais a mentira
a dissimulação o holiganismo dos
dirigentes.
Mas, vamos ás coisas boas que por
vezes acontecem e que enobrecem quem
as pratica. Vamos contar três
histórias, uma actual e duas de
1963, que demonstram que ainda como
sempre houve pessoas honestas no
futebol e que devem ser um exemplo
para todos.
A história actual aconteceu no jogo
de juniores entre os Canaviais e o
Bencatelense, que faça à ausência do
árbitro foi dirigido pelo Presidente
dos Canaviais, José Ourives, também
ele um antigo árbitro e que se
dispôs a ajudar a festa do futebol.
Pois bem, a formação dos Canaviais,
ainda não tinha vencido qualquer
jogo, os jovens precisavam de um
resultado positivo para moralizarem,
e por isso entregaram-se ao jogo com
grande determinação, tendo chegado
ao final do tempo regulamentar a
vencer por três a dois.
O árbitro deu mais quatro minuto
(?),e mesmo sobre o ultimo minuto
dos descontos aconteceu uma falta
dentro da área dos Canaviais e o
árbitro assinalou grande penalidade,
que os forasteiros converteram
tirando assim a possibilidade dos
jovens dos Canaviais de vencerem o
jogo.
O árbitro e Presidente dos Canaviais
não se livrou de algumas criticas e
de algum ar de espanto por parte
daqueles que estão habituado a ver o
futebol como um mundo de enganos.
Este homem deu um bom exemplo,
ajuizou da forma que viu o lance e
assim dignificou o futebol.
As histórias de 1963 aconteceram em
Castelo Branco num jogo decisivo
para a equipa local e para a
Sanjoanense, que ocupavam os últimos
lugares da tabela, a dois minutos do
fim estavam empatadas a zero, quando
num lance confuso, quando na grande
área dos forasteiros, os jogadores e
público reclamaram uma grande
penalidade, por alegada mão de um
jogador. Como se calcula os protesto
eram muitos e iam subindo de tom,
foi então que o extremo direito da
equipa da casa chegou junto do
árbitro e confessou-lhe “ O senhor
esteja tranquilo porque fez muito
bem em não marcar a grande
penalidade, pois fui eu que empurrei
o jogador adversário obrigando-o
tocar involuntariamente com a mão na
bola, por isso não faça caso dos
protestos do público”.
A outra historia aconteceu no derby
algarvio de juniores entre o
Olhananse e o Farense. Como em todos
os derbies as emoções são muitas e
muitas vezes o público incentiva os
jogadores a atitudes menos
correctas, foi o que aconteceu o que
levou um jogador do Farense sem que
a bola estivesse ao seu alcance
ameaçar e a agredir a soco um seu
adversário.
A cena foi presenciada pelo árbitro
que naturalmente expulsou o jogador.
No final da partida o delegado do
Farense, entrou na cabina do árbitro
e indagou o juiz de campo sobre os
motivos da expulsão. Dada a maneira
um pouco ríspida como o delegado
falou, o árbitro recusou-se a
divulgar os motivos da expulsão.
Após uns minutos o delegado
voltou-se para o árbitro e disse “
Agradeço-lhe que me diga o que fez o
jogador do meu clube, porque ele é
meu filho e, além da sanção que a
FPF, lhe vai impor, ainda o quero
castigar pela sua incorrecta
atitude, como jogador e como meu
filho”.
Estas três historias mostram porque
afinal o futebol continua a ser o
desporto rei, é que há gente que o
dignifica.
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Juiz
No
futebol e na arbitragem tudo se
repete, ou como diz o nome desta
rubrica, quase nada é novo. Por isso
falar do árbitro ou melhor dizendo
juiz de campo, pois ele faz cumprir
as leis do futebol. É, que o futebol
tem leis tem regras embora muitos
parecem que esquecem este pormenor
que faz toda a diferença.
Hoje vamos falar do juiz de futebol
e, para exemplificarmos que nada é
novo, socorremo-nos de um artigo
publicado em 1967 pelo Capitão Pires
Duarte. E, começa por escrever o
articulista “Juiz, uma palavra tão
pequena, formada apenas por quatro
letras, mas que encerra tanta
responsabilidade e, por vezes certa
honra”.
E o Capitão Pires Duarte iniciava a
sua dissertação sobre o juiz de
campo por fazer justiça “ felicitar
os que tão heroicamente se
prontificam a exercer uma função tão
ingrata, mais ingrata que difícil e,
muito especialmente, por razões
sobejamente conhecidas, nem sempre
bem compreendidas”.
E vai mais longe o articulista “
Todos podem errar. Os jogadores, com
responsabilidades profissionais; os
dirigentes resolvendo sossegadamente
sentados à secretária; os críticos,
regularmente instalados e apreciando
calmamente o desenrolar do jogo; mas
o árbitro, que tem de julgar
rapidamente e no momento próprio com
uma atenção excepcional nos
jogadores e nas jogadas, por vezes
numa altura em que aquelas,
inesperadamente, mudam de ângulo de
observação, não pode errar porque se
tiver essa infelicidade, cai sobre
ele o “Carmo” e a “Trindade”.
A sua situação é tão ingrata que
actuando bem durante oitenta e nove
minutos vê o seu bom trabalho
esquecido porque, num minuto, deixou
de observar determinada ocorrência.
Temos de concordar que é pesaroso,
depois de tanto esforço, não lhe ser
ressalvada a falta”. O Capitão Pires
Duarte continua a sua dissertação
escrevendo que “ A apreciação do
trabalho do árbitro, parece-nos,
deverá ser a média da sua actuação
durante os noventa minutos do jogo;
não estejamos de faca afiada para
tentando mostrar os nossos
conhecimentos ofuscar aquele
trabalho, focando, em realce, o que
se passou numa fracção de segundo.
Porque não dar à critica,
indispensável e útil, quando
construtiva, um aspecto de conselho
amigo, de quem observa de maneira
diferente, a considerar e muito de
respeitar, sem constituir censura?”.
E termina o Capitão “ Acreditamos
que também nós tenhamos errado nesta
nossa apreciação, mas também
esperamos que sejamos desculpados –
é uma opinião muito pessoal, sujeita
a apreciação diferente que
consideramos e respeitamos.
Discordem mas não censurem. Aos
árbitros pedimos que ajudem, pois da
colaboração de todos resultará algo
de útil para a causa da arbitragem”
Ajudar os árbitros é o que se pode
desde sempre, mas também desde
sempre são os principais
interessados no futebol que mais
gasolinas deitam para a fogueira…não
é assim?
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Entrevistas rápidas
Quase
todas as semanas ouvimos declarações
de treinadores a queixarem-se da
arbitragem, normalmente acontece
sempre que os resultados não
satisfazem as pretensões desses
responsáveis.
Hoje essas declarações têm uma maior
visibilidade, até porque as chamada
entrevista rápida após o jogo, é
ideal para a justificação do
insucesso da equipa, para além disso
a desculpa serve para acalmar os
adeptos e muitas vezes coloca-los
contra aquele que não tem ninguém
para o defender. O árbitro.
Este tipo de atitude por parte dos
treinadores não é nova, é quase tão
antiga como o futebol e sobre este
tema, em 1967 José Sampaio escrevia:
« Não sabemos se os treinadores
portugueses (ou ao serviço de
equipas portuguesas) supõem que nos
dão uma grande novidade quando
publicamente, nas pequenas
entrevistas que se fazem após os
jogos, desancam o nível da
arbitragem nacional.
De resto, o clima em que está a
viver a arbitragem é de tal forma
ostensivo que nem o mais humilde dos
adeptos do futebol – aquele que lá
vai “quando o rei faz anos” – ignora
que, de facto, são cada vez mais
frequentes os lapsos atribuíveis à
arbitragem e que esse clima é
nefasto para o futebol português”.
Para quem só leu este parágrafo, é
importante dizer que esta crónica,
não é de 2006 é de 1967, continuando
a citar José Sampaio “ ...De
qualquer forma, é igualmente
necessário que o homem que, domingo
a domingo, protesta na sua bancada
contra os erros de arbitragem não
continue , inconscientemente, a ser
um “pau mandado” de opiniões alheias
bastante suspeitas.
Realmente “ pomos o preto no branco”
denunciando as campanhas que se têm
desenvolvido contra a arbitragem,
excitando lamentavelmente a opinião
pública afecta a esses clubes. E
temos agora que denunciar a
deplorável moda que se instalou no
nosso meio com os treinadores a
afazer, no final de cada encontro
uma critica desapiedada à decisões
do árbitro. Quando a sua equipa
perde claro, já que quando ganha
está tudo muito bem.
E vai mais longe o articulista “ Mas
é muito mais triste que neste estado
de coisas certos treinadores
esqueçam quanto à sua posição o mau
exemplo disciplinar que fornecem aos
seus pupilos acusando publicamente
um homem que finalmente é a
autoridade do jogo...se eles
pretendem dessa forma desculpar os
insucessos das suas equipas que se
desenganem. Apesar das paixões
desbragadas e dos raciocínios
precipitados, os seguidores de uma
determinada equipa acabam sempre por
vislumbrar as verdadeiras razões dos
seus insucessos...”
Pois é já em 1967 a critica muitas
vezes exagerada ao trabalho dos
árbitros por parte dos treinadores
no final dos jogos era discutida,
hoje este tema é ainda actual, até
porque os pressupostos não se
alteraram , o futebol vive da emoção
e muitas vezes esta sobrepõe-se no
imediato à razão, que no entanto
prevalece mais tarde ou mais cedo e
aí os bons treinadores ficam e os
maus, por mais que atirem culpas a
terceiros saem. Ontem como hoje.
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2
de Janeiro de 2006 |
Quase nada é novo no futebol
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Protestar!
Não
há dúvida nenhuma que protestar é
uma moda que pegou e hoje não há
ninguém que não proteste. Aliás,
protestar é nos dias que correm, uma
forma de afirmação, que é legítima
se for regida pela verdade e não for
apenas gratuita.
O
problema é que muitas vezes os
protestantes, são eles próprios o
garante do sistema contra quem
protestam. Mas, desenganem-se
aqueles que pensam que é de hoje o
protesto ou que é de hoje o protesto
mal direccionado. Desde sempre no
futebol, os que protestam parecem
ignorar ou ignoram mesmo o que está
em causa quando o fazem.
Em
1964, João Gomes, um árbitro do
Porto escrevia o seguinte contra os
protestantes: "Amiúde se ouvem e
lêem verberações e acusações aos
dirigentes dos diversos
departamentos desportivos. Todavia
elas são destituídas de qualquer
razão, porque na maioria das vezes
os descontentes são vítimas de si
próprios." E vai mais longe ao
afirmar que "triste panorama do
pobre desporto, em que se arranjam
lugares para homens, quando se devia
escolher os homens para os lugares."
Esta frase não é de hoje, é de 1964,
e, no entanto, permanece
extremamente actual.
João
Gomes explica então a sua teoria:
"Ainda há dias conversando com um
amigo que já não via há bastante
tempo, a breve trecho falámos de
desporto e do seu clube, de que tem
sido por diversas vezes director,
tendo ele replicado que já pouco
ligava ao desporto, desiludido e
desgostoso com diversos casos...".
Depois
de ouvir os lamentos do amigo, o
articulista resolver esclarecer este
dirigente desportivo comentando
"Olha, não tens razão nenhuma.
Queres ver: do que se passa nas
Associações, Federações, Conselhos
Técnicos, etc, sejam de que
modalidade for, a culpa é vossa, tua
e dos teus colegas. Quanto aos
árbitros, é certo que haverá uns
mais competentes do que outros,
aliás como em todas as actividades
da vida, mas ainda disso a culpa
continua a ser vossa. Ele arregalou
os olhos e eu nem o deixei falar.
Queres
saber porquê? Quem elege as
direcções das Associações? São os
delegados dos clubes, respondeu ele.
Quem elege os Conselhos Técnicos, as
Federações, etc? Como vês todos os
cargos da escala hierárquica
desportiva são providos, directa ou
indirectamente pelos clubes.
Ora,
sendo assim, que razão vos assiste
para protestar contra o que julgais
menos acertado? Tivessem os
dirigentes dos clubes a necessária
ponderação e a indispensável
personalidade para recusar a eleição
de indivíduos que não reunissem um
apreciável somatório de qualidades,
e o desporto nacional caminhava
muito melhor."
E João
Gomes rematava "razão de queixa
temos nós, a quem nos são impostos
dirigentes, sem que sejamos ouvidos
para eleger quem quer que seja,
tendo de aceitar quem os clubes
querem nomear...".
Como
se vê protestantes há muitos, ontem
como hoje a maior parte das vezes
protestam sem razão, por
desconhecimento, porque não acredito
que protestem por má fé... mas no
entanto vão fazendo um ruído que
afasta as pessoas da resolução dos
verdadeiros problemas do desporto
português. |
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26
de Dezembro de 2005 |
Quase nada é novo no futebol
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O
capitão de equipa
Quantas e quantas vezes
assistimos à indignação de um jogador de futebol que,
por acaso é capitão de equipa, ao ser punido com um
cartão amarelo por discutir a decisão do árbitro.
Esse jogador, por palavras e actos, tenta, por vezes,
mostrar aos adeptos que está com a razão e que o facto
de ter a braçadeira de capitão lhe confere a
possibilidade de discutir a decisão do árbitro.
O pior, é que os adeptos, levados ao engano pelo
jogador, se insurgem contra o árbitro quando na
realidade é o juiz do jogo que tem razão. Nenhum jogador
pode discutir as decisões do árbitro.
Este tema não é novo embora continue a ser necessário
esclarecer os adeptos e infelizmente alguns jogadores
que não conhecem as leis do jogo.
Já em 1961, Francisco Pinto escrevia sobre o tema que
ele mesmo achava já ser um pouco repetitivo. Vejamos
então o que ele escrevia: “Por mais que se escreva e
fale nunca é demais batermos na mesma tecla para
chamarmos à atenção dos homens destinados a capitanear
uma equipa, que não podem dirigir-se aos árbitros para
discordar das decisões que sé ele pode julgar à face a
lei.
E acrescentava Francisco Pinto “Há, no fundo disto,
homens que tem tais missões a cumprir, que compreendem,
meditam e raciocinam e, por conseguinte, a estes não
lhes servirá, de certo modo, estas palavras.
Mas, para aqueles que não reúnam tais publicados (quando
assim acontece não devem ser nomeados) são sempre boas
tais recomendações para o seu prestígio. O articulista
transcrevia então a Lei V (conselhos aos jogadores) que
dizia o seguinte: “Não discutam nunca as decisões dos
árbitros, porque em questões relacionadas com o jogo
elas são irrevogáveis. Se surgir alguma discussão tomem
sempre o partido do árbitro.”
Depreende-se disto tudo - escrevia Francisco Pinto –
“que o jogador não está autorizado a comentar as
decisões do árbitro” e adiantava que “os árbitros
concordam plenamente que, se jogador com tais missões se
dirigir correctamente, têm o dever de procurar
esclarecê-lo, tanto mais que a maior parte destes
desconhecem completamente tais normas.”
E, já em 1961, segundo Francisco Pinto, a Comissão
Central de Árbitros recomendava aos árbitros o seguinte:
“Não permitir que as suas decisões sejam discutidas
pelos jogadores, nem permitir que estes o rodeiem quando
pretendam fazer qualquer reclamação. Neste último caso,
se persistirem, devem os árbitros solicitar a
intervenção dos capitães.”
E mais à frente, escreve o articulista, “o árbitro nunca
deve ter dúvidas em expulsar do terreno tais elementos,
que só desprestigiam o decoro futebolístico e a conduta
daqueles que andam 90 minutos com o apito, tentando
fazer o melhor possível e defendesse tais
aborrecimentos.”
Que diria Francisco Pinto se, 40 anos depois, visse que
pouco ou nada mudou neste campo… quantas vezes nestas
quatro décadas se escreveu sobre este tema. E, quantas
mais têm que se inscrever.
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19
de Dezembro de 2005 |
Quase nada é novo no futebol
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Será
velho um árbitro com 45 anos?
O excelente árbitro
italiano Colina abandonou a arbitragem por ter atingindo
o limite de idade, 45 anos. Muitos se questionam sobre
se este excelente árbitro não tinha ainda condições
física e psíquicas para continuar a dar-nos lições de
como se deve dirigir um jogo de futebol.
Pois bem, esta questão a
idade limite para os árbitros é uma questão antiga e já
em 1957 Raul Martins escrevia sobre o tema e o titulo do
artigo era “Será velho um indivíduo de 45 anos?”. E diz
ele no seu artigo “Será velho um indivíduo de 45 anos ?
Será tão velho como um de 25 ou 30 anos, mas isso só
por qualquer condições fisiológica anormal, como regra
geral não.
Aos 45 anos adianta o
articulista “ sem ser jovem está um indivíduo ainda em
plena posse de todos os recursos e a atestar esta ideia
temos que alguns dos nossos melhores juizes estão a
chegar aquela idade”.
E continua Raul Martins
“efectivamente em minha opinião não julgo acertado que
um juiz de campo ande a actuar além dos 50 anos, até
mesmo por uma questão de prestigio, mas ordenar
obrigatoriamente a retirada ao 45 anos, parece-me medida
demasiado drástica”.
E mais escrevia “ No
último curso de aperfeiçoamento defendi o ponto de vista
exposto e o Exº Sr. Prof. José Esteves, na sua brilhante
palestre e como pessoa competente e conhecedora das
condições físicas e emocionais dos desportistas foi de
opinião que o afastamento aos 45 anos em todos os casos
era prematuro, pois que se em alguns se justificava,
noutros se verificava que os afastados ainda se
encontravam em óptimas condições de poderem prestar à
causa da arbitragem excelente contribuição dirigindo
jogos de futebol”.
Ontem como hoje o problema
persiste até que idade tem um árbitros condições para
dirigir um jogo de futebol?
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12
de Dezembro de 2005 |
Quase nada é novo no futebol
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A
violência é um apelo à violência
Nos dias de hoje, já se vai castigando com cartões
amarelos aqueles jogadores que simulam faltas e também,
já se vai castigando os jogadores e usam violência,
mesmo quando a sua acção violenta só é captada pela
televisão, os tais sumaríssimos que vieram em boa hora.
Mas, esta “coisa” dos jogadores que entrem em jogo mais
preocupados com as ditas jogadas subterrâneas do que com
praticar bom futebol, não é de hoje e já, em 1959, Dinis
Machado publicava no “Diário ilustrado” um artigo sobre
este tema.
E, escrevia Dinis Machado, “Há dias abordámos o problema
do jogador de futebol que entra no terreno animado das
mais sombrias intenções. Considerámo-lo (e não se pode
dizer que tivéssemos descoberto a pólvora com a teoria
que defendemos) uma das mais novas venenosas fontes de
indisciplina. O jogador mal intencionado, violento e
desrespeitador pode ser a origem de tudo o que é
nefasto.
Um jogador que sai dos carris da decência nos primeiros
minutos (e quantas vezes com aquele apregoado jeito de
“saber dar”) para estragar um desafio inteiro. A
violência é um apelo à violência, a semente da desordem
e o início do caos.
E continua Dinis Machado na sua bela crónica “Claro que
há sempre um árbitro para resolver esses problemas. Em
última análise uma pessoa pode dizer: pois o árbitro é
que teve a culpa. É o ponto de vista essencialmente
cómodo, pois é mais fácil bater nas costas de um árbitro
do nas costas de um jogador. Aquele é sozinho e este
representa uma colectividade.
Muito bem sabemos nós que ao juiz de campo compete
regular a disciplina do jogo. Ele tem autoridade (mais
de autoridade, tem obrigação) de castigar os desmandos,
as violências, os desrespeitos. Teoricamente a tese é
facílima de interpretar. Uma pessoa diz que o árbitro
expulsa quando tem que expulsar, que se o árbitro
tivesse mão de ferro, tudo correria bem. E as pessoas
concordam.
Mas começa um desafio de futebol. Aparece a primeira
jogada subterrânea, embrulhada no papel da dúvida;
aparece a primeira ofensa no ouvido do adversário;
aparece um repertório sinistro de atitudes sem
classificação, algumas fora do ângulo de observação do
árbitro, outras tal modo camufladas que só quem lhes
sofre os efeitos poderá falar delas. E aparece o
público, quantas vezes induzido em erro pela aparência
da jogada.
E continua Dinis Machado “Um futebolista cai no terreno,
a contorcer-se, e o público é arrastado, na sua boa-fé,
a clamar contra o árbitro. E o árbitro, que não viu a
falta, não sabe onde esta a verdade. É que o árbitro
sabe que há jogadores que jogam com o público na mão.
Jogadores que utilizam os mais indignos recursos. E nós
sabemos que o juiz de campo é muitas vezes o culpado de
certas paisagens desoladoras. E falta-lhe coragem,
autoridade, bom senso e equilíbrio. E falta-lhe também,
quase sempre, jogadores correctos”. E termina o
jornalista/escritor Dinis Machado “Um jogo de futebol
não é só o que um árbitro pretenda que seja. Será também
aquilo que os jogadores desejarem”.
De 1959 até hoje muito mudou no futebol, mas as atitudes
dos intervenientes, infelizmente, não mudaram assim
tanto.
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5
de Dezembro de 2005 |
Quase nada é novo no futebol
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São
piores os árbitros de hoje?
“Não haja dúvidas que não
são somente os árbitros que são severamente perseguidos
mas também aqueles que os dirigem.
E porquê? Porque foi
indicado fulano para aquele jogo, porque não se utilizou
uma equipa de consagrados em vez de uma jovem, porque
não se puniu aquele árbitro que estragou a carreira
daquela equipa etc., etc,. etc. Há sempre porque
criticar mas nunca por louvar.”
Não, estas palavras não
foram escritos hoje. Mas, poderiam perfeitamente tê-lo
sido, porque são actuais tendo em conta as criticas que
se fazem ao trabalho dos árbitros. O que está referido
acima foi escrito em 1960 por Diogo Manso, e como se
pode ver a questão das nomeações dos árbitros, as
“jarras”, não são de hoje são de sempre, o que se por um
lado acalma os árbitros porque sempre foram e sempre
serão criticados, por outro lado deve fazer reflectir
quem critica desenfreadamente, que não está a ser nada
original.
Mas, há mais. Quantas e
quantas vezes ouvimos questionar a qualidade dos
árbitros actuais. E, a conversa é sempre a mesma, a
qualidade dos árbitros de hoje é menor que a de ontem,
há uma crise na arbitragem, os de hoje sabem menos que
os de ontem, enfim um a série de questões que são
colocadas muitas vezes por quem tem o poder de divulgar
as suas ideias, mas que tem pouco conhecimento do que
diz.
Aurélio Márcio um dos
melhores jornalistas desportivos de sempre, escrevia em
1960 “ Sempre que o Campeonato está no auge ou se
sucedem jogos entre as grandes equipas é certo e sabido
que o problema dos árbitros emerge no ambiente
futebolístico e passa a ser um tema em geral pouco
lisonjeiro para os juízes de campo”.
E escreve mais o
jornalista “Invariavelmente as conversas convergem
insensivelmente para a má qualidade dos árbitros e para
o baixo nível das arbitragens. Tal como quando o clube
favorito entrou a perder, o adepto, desanimado, afirma –
cada vez se joga menos...- também o simpatizante da
equipa desfavorecida pelo árbitro num determinado
desafio, não se exime de afirmar: vamos de mal a pior no
problema da arbitragem.
E mais á frente Aurélio
Márcio escreve, “ O meu campo de observação permite-me
verificar que se apita hoje tão bem, como há uns anos
atrás, num nível bastante apreciável, que de maneira
alguma se pode considerar um retrocesso. O que há hoje
em dia, isso sim, é maior rivalidade entre os clubes,
mais paixão, e também um maior equilíbrio de valores
entre as equipas de futebol, motivo porque um erro
cometido pelo árbitro, em 1960, o mesmo erro entenda-se,
tem maior repercussão do que quanto era cometido em
1939, por exemplo”.
Estas foram as palavras
intemporais de Aurélio Márcio, e nós acrescentamos um
erro de um árbitro em 2005, tem muito maior repercussão
do que quando era cometido em 1960, por exemplo, até
porque hoje há muitas câmaras de TV e filmarem até á
exaustão os lances.
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28
de Novembro de 2005 |
Quase nada é novo no futebol
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Penalties que parecem ser
Melo
Costa escrevia em 1970 que “mais vale andar no mar alto
que ser árbitro...”. E, escrevia esta frase num artigo
em que se concentrava num penalty assinalado pelo
árbitro, que afinal não tinha sido, na realidade, grande
penalidade.
Na
última semana, muito se falou sobre o penalty assinalado
pelo árbitro no jogo entre o Sporting de Braga e o
Benfica e de que, como todos vimos na televisão, o
jogador não fez falta passível de castigo máximo.
Esta
situação de erro do árbitro não é de ontem nem de hoje,
é de sempre. O erro vai existir sempre no futebol e
haverá sempre um homem que vai ouvir “das boas” sobre o
erro que comete. Já os outros intervenientes são
normalmente poupados pelos erros, mas é assim a vida de
um árbitro.
Voltemos ao artigo de Melo Costa sobre o erro do
árbitro: “No Leixões-Sporting, António Amaro por causa
do penalty que considerou, ouviu das “boas e bonitas…”.
Em nosso entender errou. Para muitos, não somente errou,
como e principalmente lesou, de má fé, a equipa. O
árbitro conimbricense, pode ser juiz de alta craveira em
crer, até, que lhe falta aquele “quid” que distingue os
génios, os juízes excepcionais daqueles que,
reconhecidamente bons, são só bons.
Mas
há um factor que António Amaro parece trazer estampado
no rosto, e esse é o da honestidade. Sempre que o vimos
actuar, sempre que lhe apontámos reparos - e tantas
vezes o fizemos já…, só nos forneceu motivos para mais
consolidar em nós a impressão de que, errando, errou
convencido que julgou bem, que julgou como devia, face à
aplicação das leis e da sua consciência. Não será
brilhante, mas é, e quanto vale isso?, estruturalmente
honesto.
Neste
artigo de Melo Costa, há dois aspectos que merecem
reflexão - o primeiro é a denúncia do erro do árbitro,
esse aspecto é nos dias de hoje corrente em todos os
comentários aos jogos de futebol. Mas, a lição que todos
deveríamos tirar do artigo de Melo Costa, escrito em
1970, prende-se com o facto de denunciar o erro do
árbitro como erro que é e não tirar, como aliás hoje se
faz com toda a facilidade que dá a liberdade de
imprensa, conclusões que mais servem os adeptos dos
clubes ou as tendências gerais dos leitores. Isto é, o
importante é denunciar os erros, que até podem ajudar os
árbitros, se estes forem pessoas com capacidade de ouvir
as críticas, a melhorar o seu trabalho.
No
que diz respeito às insinuações de desonestidade com que
facilmente se atacam tudo e todos (aqui no artigo de
Melo Costa está o exemplo) o árbitro tem que ser visto
como pessoa honesta e, como tal, erra como eram todos os
seres humanos. Não se pense, no entanto, que todos somos
ingénuos. O futebol de ontem como de hoje move muitos
interesses e muitas pessoas não primam pela honestidade,
e não são só os árbitros, são os dirigentes, os
treinadores, os jogadores, os jornalistas, enfim, em
todo o lado há bom e mau. Mas, o que se quer realçar é a
honestidade da maioria e não fazer das excepções a
regra.
Essa
é a missão de quem comunica.
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21
de Novembro de 2005 |
Quase nada é novo no futebol
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Há uma equipa no futebol
que não tem adeptos
Numa partida de futebol há
três equipas presentes, duas que vão competir entre si,
tentando levar a melhor uma sobre a outra e há uma
terceira a da arbitragem que vai tentar fazer com que as
outras duas cumpram as regras do jogo.
Numa primeira analise pode
dizer-se que as três equipas partem todas em pé de
igualdade para fazerem o melhor que podem e sabem. No
entanto não é verdade pois, enquanto as duas em
competição têm uma parte do público a seu favor a de
arbitragem não tem adeptos a seu favor, o que se fosse
só isso já era bom.
Esta é uma realidade que
faz com que o trabalho dos árbitros seja complicado e
mereça desde há muitos anos diversas reflexões. Apesar
da melhoria do futebol, da melhor formação dos árbitros,
jogadores e dirigentes, apesar dos níveis de
escolaridade aumentarem o facto é que os problemas dos
árbitros de hoje é igual aos de ontem e provavelmente
aos de amanhã.
Mas, apara não estarmos
aqui a falar como se diz de cor, vamos ver o que se
escrevia sobre o assunto nos anos sessenta.
Assim Trabucho Alexandre
escrevia em 1963 “Se há homem que sinta ter vindo ao
mundo só para sofrer é o árbitro de futebol, nos campos
de futebol, qualquer um, só porque comprou bilhete ou
arranjou maneira de entrar no Estádio, julga-se no
direito de soltar a lingua e dirigir quantas bacoradas
lhe apetece.
E todas (salvo rarissímas
excepções) dirigidas ao árbitro. São palavras soltas (e
mal soantes...) que, ainda que pareça incrível
atravessam o campo e chegam inteirinhas, picantes como
alfinetes ou agressivas como navalhas aos ouvidos do
árbitro, o homem de quem todos esperam justiça
serenidade, isenção e que, afinal todos (ou quase..)
tratam como se fosse o mais delinquentes dos bandidos
que andam sobre a terra.
Ninguem perde porque jogou
mal ou porque o adversário jogou melhor. Parar esses só
há um culpado, o árbitro, o indesejável, o pirata, o
gatuno, o vendido, º..(ponham o que quiserem...).
E no entanto continua a
escrever Trabucho Alexandre “ ninguém reparar que o
árbitro é um homem a quem exigem a perfeição de uma
máquina (das que não se avariam), um indivíduo que sabe
concerteza, interpretar melhor as leis do jogo do que 99
por cento dos que o assobiam, um adepto que, pelo menos
gosta tanto do jogo como todos os que compram o seu
bilhete, uma pessoa que, como qualquer que se preze,
gosta mais de acertar do quede asnear, um juiz (de
campo...) a quem quase não se dá um segundo para julgar
e proferir a sentença.
Não...nisto ninguém
reparar, diz no final do seu artigo Trabucho Alexandre a
qual nós acrescentamos não repararam ontem como não vão
reparar nunca...
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14
de Novembro de 2005 |
Quase nada é novo no futebol
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Exemplos
que devem ser seguidos
O semana que passou ficou
marcada pelos comentário que se fizeram às decisões que
árbitros tiveram de tomar nos jogos que apitaram.
Não vou aqui analisar os
erros cometidos pelos árbitros, esses já foram todos
analisados até à exaustão. Creio que cada um deverá
assumir as responsabilidades, sendo que nesta coisa do
futebol, não há super homens, o que existem são seres
humanos susceptíveis de errar.
Vou debruçar-me não sobre
os protagonistas do erros, os árbitros, mas sobre as
atitude que jogadores, treinadores e dirigentes, muitas
vezes tomam em relação a esses mesmos erros. Isto é se a
sua equipa beneficia desses erros fica-se em silencio,
assobiando para o ar, se por acaso é prejudicada
grita-se o mais alto possível, pois fica bem ser-se
vitima.
Estas situações não são de
hoje, os erros surgiram sempre e irão continuar sempre,
porque quem tem de decidir num segundo corre o risco de
decidir por vezes mal. O que gostaríamos de ver mais
vezes, era uma atitude nobre por parte dos atletas
treinadores e dirigentes, de eles próprios darem uma
ajuda para se evitarem erros.
Em 1973, o jornalista
Carlos Figueiredo escrevia no saudoso Diário Popular, um
artigo em que contava um historia que deveria ser
seguida por todos, ontem como hoje. Vamos então recordar
a história para que todos a saibam e se possível sigam o
exemplo que dela emana.
E no jornal escrevia-se
então “Completaram-se agora precisamente 14 anos! No
“court” central do Tennistadiom de Estocolmo
disputava-se a partida decisiva de um sensacional Suécia
– Chile, em eliminatória da Taça Davis. Frente a frente,
os melhores tenistas: O escandinavo Ulf Shmidt, e o
chileno Luiz Ayala. Nas bancadas, entre um público
apaixonado estava o próprio Rei Gustavo Adolfo.
...foi aí que
presenciamos, quiçá o mais bela momento desportivo da
nossa vida.
Vencendo por 40-15, quando
comandava também por “sets” (2 contra um, “à maior de
5), ao chileno bastaria ganhar aquela bola para se gabar
de ser o primeiro estrangeiro a bater o menino querido
dos suecos no seu próprio país.
E, simultaneamente, a
Suécia seria eliminada pelo Chile da famosa competição.
Por isso mesmo. Ayala “ carregou “ a fundo e colocou a
bola com precisão milimétrica, beijando a linha do
corredor direito de Shmidt.
A bola fora tão rápida e
precisa que ficaram certas dúvidas nos espectadores. O
juiz de linha responsável, entretanto levantou a mão e
gritou “out!”, isto é, considerava que a bola batera
fora do risco.
...E ante o pasmo bem
latino nosso e de Luiz Ayala, o louro sueco, muito
calmo, avançou para o local onde a bola tombara e
apontou-o ao árbitro com o cabo da sua raquete,
exactamente da parte de dentro da linha lateral,
esclarecendo “ a bola foi boa”.
Isto só por si, meus
senhores já bastaria para nos arrebatar. Porém, quando
vimos e escutámos, aquele público de alguns milhares de
suecos, penalizados pela queda do seu ídolo ( e
eliminação da sua equipa nacional) mas aplaudindo de pé
o campeão chileno, que Ulf felicitava também,
confessamos, sentimo-nos esmagados ! Lição maravilhosa
de civismo de um público e de um atleta gloriosamente
vencido...”
O nosso desejo é que este
exemplo fosse seguido nos dias de hoje. Seria muito bom
não era?
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7 de
Novembro de 2005 |
Quase nada é novo no futebol
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Árbitros profissionais
A questão da
profissionalização dos árbitros é já um tema antiga
muito debatido e que tem tido ao longo dos anos muitas
opiniões contraditórias.
Não vou emitir a minha
opinião acerca do tema, vou isso sim mostrar que já em
1958 esta temática era tema de artigos de opinião de
pessoas importantes no mundo da arbitragem e que já
nesses anos também o adepto anónimo tinha opinião sobre
a problemática da profissionalização dos árbitros.
Assim no ano de 1958, o
articulista belga Nyster Péter, escrevia sobre os
problemas da arbitragem naquele país “Ninguém ignora
que a arbitragem pode ter uma influencia profunda no
aperfeiçoamento do jogo. Porque é que então não há
personalidades ligadas á arbitragem adstritas aos
dirigentes dos clubes?” e continuava o articulista “ a
primeira critica que é feita ao árbitros é a severidade
com que é visto o seu trabalho em vez de se estudar com
os técnicos dos clubes a possibilidade de uma campanha
contra os jogadores brutais ou viciados...pede-se
igualmente aos árbitros para não prejudicarem o ritmo do
jogo...”
Uma da proposta em cima da
mesa nesta altura na Bélgica era precisamente a questão
da profissionalização dos árbitros e aqui Nyster – Péter,
questionava “há vários anos nós dissemos: para melhorar
o nível do jogo é necessário pagar aos jogadores.
Atingiu-se o fim em vista? Dizem agora,: para melhorar
a arbitragem é necessário pagar aos árbitros?. E porque
não aos dirigentes dos comités e aos directores dos
clubes? Fazer crer que a remuneração pode melhorar a
arbitragem é dar provas de um total desconhecimento da
psicologia do árbitro. Existe no coração de todos
aqueles q eu Domingo após Domingo dirigem jogos
de futebol em tal desejo de subir de se ver guindado a
posição de realce que eles dão durante os 90 minutos o
máximo do seu esforço e do seu saber. Jamais a atracação
de uma recompensa pecuniária lhe poderá trazer
vantagens.”
E, depois de muitos
considerandos quer a nível do recrutamentos dos árbitros
quer nas questões fiscais Nyster – Péter termina com um
apelo aos árbitros “ amigos árbitros continuais a
arbitrar porque a arbitragem é o vosso prazer,
continuais a arbitrar porque a arbitragem é para vós um
excelente exercício físico, continuais a arbitrar porque
a arbitragem é certamente para vós como para mim uma
verdadeira paixão. Mas, se não tiveram interesse não vos
deixeis seduzir pelo dinheiro que já desiludiu tantos
dos nossos jogadores, os interesseiros que antes de
entrarem em campo pensam antes nas vantagens dos prémios
que lhe possam ser atribuídos do que na grandeza do
desporto que eles praticam e na beleza do espectáculo
que eles vão oferecer àqueles que lhe pagaram para ver”
Voltarei ainda a este tema
com outras opiniões , a de hoje refere-se de facto a um
tempo é quem o futebol ainda não era a industria que
hoje é por vezes mudam-se os tempos...mudam-se as
vontades.
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31
de Outubro de 2005 |
Quase nada é novo no futebol
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Aparelhos electrónicos
Na última semana foi
noticiado nos jornais a introdução de um ship nas bolas
para que não haja erros, aliás a introdução de
componentes electrónicas no futebol para ajudar a que
cada vez haja menos erros é uma preocupação de muitos,
mas não é nova.
Já em 1959, o jornalista
Acácio Correia escrevia um artigo de opinião sobre esse
tema, que agora parece não novo e afinal já tem
“barbas”.
Escrevia Acácio Correia
“enquanto não se inventar um aparelho electrónico
infalível, que tome as decisões absolutamente certas na
ordem do milésimo do segundo, um árbitro tem de ser
homem e, como tal sujeito a errar como todos os
mortais...”
E escrevia mais o
jornalista Acácio Correia sobre aqueles que complicam o
trabalho do árbitro “...não falamos já no espectador que
vai para o campo só com um olho. O do seu clube, que se
revolta contra todas as faltas marcadas contra o grupo
da sua simpatia e acha poucas as que se assinalam contra
o adversário...eles não têm desculpa, mas merecem um
certa desconto, por muitas vezes ignorarem as regras e
não serem obrigados a sabe-las...”.
E mais há frente diz
“...Agora o que é imperdoável, injustificado e descabido
é que os homens que ganham dinheiro, que são
profissionais, não saibam as regras do jogo que
praticam. Há por aí muitos jogadores de futebol, que
desconhecem as leis do jogo que escolheram e no qual
muitas vezes atingem notoriedade. E, são eles que
muitas vezes complicam a missão do árbitro, assumindo
atitudes despropositadas, que induzem muitas vezes a
protestar aquele sector do publico que não conhecendo as
regras parte do principio (teoricamente certo) que o
jogador as sabe.
Tantas vezes temos visto
jogadores protestarem, abanarem a cabeça, rirem, porem
as mãos na cintura, por faltas pouco evidentes. E o
publico vai atrás dele... Por isso talvez não fosse
descabido a par do treino técnico e táctico e físico, o
futebolistas tivesse paralelamente, e logo nas escolas
de jogadores lições de regras, que muito úteis lhe
seriam para si e para os árbitros...isto enquanto não se
inventar o tal aparelho electrónico. A sugestão aqui
fica ...mexa-se quem achar que o deve fazer.
Isto escrevia Acácio
Correia em 1959, em 2005, continuo a dizer mexa-se quem
achar que o deve fazer.
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24
de Outubro de 2005 |
Quase nada é novo no futebol
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Fiscal de linha que anulou
dois golos ao Belenenses
No campeonato de 1964/65,
os futebolistas da "Cruz de Cristo", só perderam o sonho
da conquista do título quando, com a meta à vista,
baquearam no Lumiar diante do Sporting, num jogo marcado
por peripécias desconcertantes. O árbitro Domingos
Godinho validou três golos aos "azuis", mas um juiz de
linha, de nome Rosa, fê-lo anular dois, ameaçando ir-se
embora se as suas decisões não fossem acatadas. Foram e
o Sporting venceu por 2-1.
Esses eram tempos de
amadorismo mais ou menos hipócrita. Talvez por isso o
Governo salazarista tenha impedido a selecção de futebol
de se inscrever nos Jogos Olímpicos de Londres.
Cândido de Oliveira
abespinhava-se com esta falsa realidade e por isso dizia
que "os futebolistas portugueses eram, então, amadores
que recebiam salário e descontavam dois por cento para o
desemprego." E esses salários galopavam a caminho dos
mil escudos por mês. E para quem treinava apenas duas
vezes por semana ...
Decorria o ano de 1950
quando aconteceu outro caso que ainda hoje sucede.
Bola dentro da Baliza
O Benfica subiu para
quatro pontos a sua vantagem sobre o Sporting na
Nacional da 1ª Divisão, ao vencer o Olhanense por 2-1.
Mas, foi vitória súcia porque o árbitro transformou num
pontapé de canto um lance em que a bola esteve dentro da
baliza de Rosa!!!
Nota: esta
história foi baseada num artigo publicado no jornal "A
Bola" de 1946. |
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22-09-2010
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